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23/01/2010

POEMAS DE MICHAEL JACKSON

1.Poema Asas sem mim Era agosto e eu estava olhando o céu. Com uma mão protegendo meus olhos, descobri um falcão nas termas de ar quente. Cada vez mais alto ia em seu espiral até, com um horripilante berro, sumir. Imediatamente me senti abandonado. "Por que tem asas e eu não?" Neste momento meu espírito disse: "O caminho do falcão não é o único. Seu pensamento é tão livre quanto qualquer pássaro." Então fechei os olhos e meu espírito decolou, girando até onde estava o falcão, depois além, para que estivesse vendo o mundo todo. Mas algo estava errado. Por que me sentia tão sozinho? "Você tem asas e eu não", disse meu coração. "Qual o valor da liberdade sem amor?" Então fui à cama de um garoto doente e cantei uma canção de ninar. Ele dormiu com um sorriso e meu coração decolou, se juntando ao meu espírito que circulava a terra. Eu estava livre e amando, mas ainda havia algo de errado. "Você tem asas e eu não", disse meu corpo. "Seus vôos são só imaginação." Então olhei livros, que antes tinha ignorado, e li sobre santos em todas as épocas que realmente voaram. Na Índia, China, Pérsia e Espanha (até em Los Angeles!) , o poder do espírito alcançou, não só o coração, mas todas as células no corpo. "Como se carregadas por uma grande águia", disse Santa Teresa, "meu êxtase me puxou para o ar." Comecei a acreditar nesta proeza surpreendente, e pela primeira vez, não me senti esquecido. Eu era o falcão e o garoto e o santo. Ao meu ver, suas vidas ficaram sagradas e a verdade me abordou: Quando toda a vida é vista como divina, todos ganham com asas. 2.Poema "Então os elefantes marcham" Um fato curioso sobre elefantes é isso: para sobreviver, eles não podem cair. Todos os outros animais podem cair e ficar de pé de novo. Mas um elefante sempre fica de pé, até para dormir. Se um da manada escorregar e cair, ele está indefeso. Fica deitado de lado, prisioneiro de seu próprio peso. Mesmo com os outros elefantes ao seu lado, deseperados, tentando levantá-lo, normalmente não há muito que eles possam fazer. Respirando, lembrando, e com força, o elefante caído morre. Os outros ficam vigiando, e depois ão embora lentamente. Isso é o que li em livros de natureza. Mas será que é verdade? Há outra razão pela qual os elefantes não possam cair? Talvez tenham decidido não fazê-lo. Não cair é sua missão. Como o mais largo e mais paciente dos animais, fizeram um pacto - imagino-o há uma eternidade, quando as eras glaciais estavam acabando. Movendo-se em imensas manadas pelo mundo, os elefantes viram pequenos homens andando no mato com suas lanças de pedra. "Que medo e ódio tem esta criatura", pensavam os elefantes. "Mas ele vai herdar a Terra. Somos espertos o bastante para ver isso. Vamos dar-lhe um exemplo". Neste momento, os elefantes juntaram suas cabeças grisalhas e pensaram. "Que tipo de exemplo podemos dar ao homem?". Poderiam lhe mostrar que o poder do elefante era superior ao dele, isso era verdade. Podiam mostrar sua ira perante ele, que era terrível o bastante para arrancar árvores de uma floresta toda. Ou poderiam dominar o homem pelo medo, pisando em suas plantações e destruindo suas casas. Em um momento de frustração, selvagens elefantes podem fazer tudo isso, mas, como um grupo, pensando juntos, decidiram que o homem aprenderia melhor por um exemplo mais bondoso. "Vamos mostrar-lhes nosso respeito pela vida", disseram. E daquele dia em diante, os elefantes viraram silenciosas, pacientes e pacíficas criaturas. Eles deixam homens andar neles, amarrá-los como escravos. Permitem que crianças riam de seus truques no circo, exilados das grandes planícies africanas onde já viveram como reis. Mas a mensagem mais importante dos elefantes é seu movimento. Eles sabem que a vida é o movimento. Mas manhã após manhã, época após época, as manadas marcham, uma só massa de vida que nunca cai, uma força pacífica impossível de parar. Animais inocentes, não suspeitam que, depois de todo esse tempo, cairão com uma só bala. Estarão deitados na grama por causa de nossa imensa gulodice. Os imensos machos caem primeiro, para que seus marfins possam ser transformados em lembranças. Aí caem as fêmeas, para que homens levem troféis. Os filhotes fogem, berrando por causa do sangue de suas mães, mas isso não os ajuda em nada. Silenciosamente morrerão ao Sol sem ninguém para salvá-los, silenciosamente morrerão e seus ossos ficarão brancos ao Sol. No meio de tanta morte, os elefantes poderiam desistir. Tudo que têm de fazer é deitar. Isso é o bastante. Não precisam de uma bala: a natureza lhes deu a dignidade de poder deitar e encontrar seu descanso. Mas eles lembram de seu pacto antigo, que é sagrado. Então os elefantes continuam a marchar e cada passo escreve palavras no pó: "Olhe, aprenda, ame. Olhe, aprenda, ame". Você consegue ouvi-las? Um dia, com vergonha, os espíritos de 10 mil lordes das planícies dirão: "Nós não lhes odiamos. Não vêem isso? Estávamos dispostos a cair para que vocês, queridos pequenos, não caiam novamente". 3.Poema "O peixe que estava com sede". Uma noite um filhote de peixe estava dormindo debaixo de um coral quando Deus apareceu para ele em um sonho. "Quero que você passe um recado a todos os peixes no mar", disse Deus. "O que devo dizer a eles?" perguntou o peixinho. "Somente diga que você está com sede", respondeu Deus. "E veja o que eles fazem". Depois, sem uma palavra, ele sumiu. No dia seguinte, o peixinho acordou e lembrou seu sonho. "Que coisa estranha Deus quer que eu faça", pensou. Mas assim que viu um grande atum nadando, o pequeno peixe disse: "Com licença, mas estou com sede". "Então você deve ser tolo", respondeu o atum, e com desdém foi embora. O peixinho se sentiu um tanto tolo, mas cumpriu suas ordens. O próximo peixe que ele viu foi um tabarão sorrindo. Mantendo-se seguramente distante, o peixe berrou: "Com licença, estou com sede". Então você deve estar louco", disse o tubarão. Percebendo um pouco de fome no tubarão, o peixe fugiu rápido. Durante o dia todo ele encontrou bacalhaus, peixes-espada e garopas, mas toda vez que ele dizia o que tinha de dizer, os peixes iam embora e não queriam conversar com ele. Sentindo-se um pouco confuso, o peixinho procurou o peixe mais esperto do mar, que por sinal era uma velha baleia azul, com três cicatrizes de arpões em suas costas. "Com licença, etou com sede!" berrou o peixinho, imaginando se a baleia conseguia vê-lo, já que ele era tão pequeno. Mas o sábio parou em seu caminho. "Você viu Deus, não é?", perguntou. "Como você sabia?". "Porque eu já senti sede também", a velha baleia riu. O pequeno peixe sentiu-se surpreso. "Por favor me diga o que este recado de Deus quer dizer", implorou. "Quer dizer que estamos procurando Ele nos lugares errados", explicou a velha baleia. "Procuramos Deus para cima e para baixo, mas de alguma forma Ele não está lá. Então o culpamos e dizemos que Ele deve ter-nos esquecido.Ou concluímos que Ele foi embora há muito tempo - ou sequer tenha existido". "Que estranho", disse o peixinho, "sentir falta do que está em todo o lugar". "Muito estranho", concordou a baleia. "Isso não te lembra de peixes que dizem que estão com sede?".

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